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Beers with Popcorn

Beers with Popcorn

Os kegs e as minhas dores de cabeça.

Desde a primeira vez que me deram a tarefa de engarrafar 60L em garrafinhas de 33cl, que jurei a mim mesma nunca mais o fazer. Que p*** de seca! Fiquei com trauma! Só me enganaram uma vez! É fácil? Sim, é. Mas não é trabalho para mim. Quando se começou a usar barris em casa, foi um alívio. Abençoada máquina de cerveja que eu tenho na cozinha. Para além de não ter o frigorifico cheio de garrafas, como era habitual, é bastante mais cómodo e muito melhor. A minha tarefa foi sempre a de lavar os barris, eu era basicamente a responsável de desinfectar tudo e garantir que a cerveja não iria ficar contaminada. Uma grande responsabilidade! Lavava e lavava, até já não ter mãos. E quando me perguntam se estão lavados e prontos a usar, tenho sempre dúvidas, e volto a certificar-me que está tudo bem. Tinha de ter cuidado com todas as peças e borrachas e sei lá mais o que! Enquanto o trabalho do homem era só abrir a cuba e despejar lá para dentro! E pronto! Done! Fazia-me lembrar um pouco o trabalho das mulheres de antigamente. Eu é que tinha o trabalho todo, os quimicos estragavam-me a manicure e ficava com as mão bastante secas. Não sou muito adepta de modernices. Gosto muito de fazer tudo da maneira que sempre foi feita, claro que temos sempre de tentar ser o mais práticos possíveis e tentar ter a vida facilitada. Adoro ser prática e não sou nada complicada. Mas acho piada fazer cerveja com uma panela normal. Tal e qual como gosto de cozinhar como a minha mãe e a minha avó cozinham. Bimbys não foram feitas para mim. O cuidado e a atenção tem de ser outro, mas és só tu que controlas tudo. Já estraguei muita cerveja. Um dia cheguei a casa, fui provar a cerveja num barril e estava mesmo estragada. A culpa era minha, mais 30L que iam para o ralo da banheira. Apeteceu-me chorar. Tanto trabalho, dinheiro e tempo desperdiçado. Agarrei no meu namorado e fomos beber uns copos para esquecer a desgraça. São coisas que acontecem, é assim que se aprende. Já apendi muito a estragar cerveja. 

Passei esta noite a pesquisar informação sobre os keykegs. Irrita-me mesmo muito ter um problema e não ter solução para ele. Já é o segundo keykeg que me estraga a cerveja. Provávelmente a válvula está com um defeito. Só saí espuma, e quando lá se consegue começar a tirar bem, o compressor liga e só saí espuma! O saco está sempre cheio... Mais uns quantos litros para o ralo. Quando funcionam, é mesmo ótimo! A cerveja aguenta mais tempo e é super prático, e nessas alturas penso que foi um bom investimento. Mas quando isto acontece juro que me apetece explodir! E culpo-me pelo dinheiro todo que já gastei. Primeiro tive comprar cabeçotes xptos e especiais de corrida, depois os adaptadores que tinha para o cabeçote não encaixavam, toca a comprar mais peças e pecinhas, santa paciência! E pagas bastante por cada keg que só é usado uma vez! É assim, faz parte das modernices. Usa-se e deita-se fora. Com tanta peça que tenho em casa, já pareço uma oficina! Enganaram-me mesmo bem quando me disseram que fazer cerveja era simples e que o kit era sufciente. Se alguém vos disser isso não acreditem, porque em breve vão encher a vossa cozinha e despensa e todos os cantos da casa com tralha. Vão trocar os muesli por maltes, vão ter saquinhos de leveduras e lúpulo no frigorifico. (Não se admirem se alguém for lá acasa e achar que vocês andam a fumar erva. É normal!) E todos os flocos de aveia e trigo que houver lá por casa já não se comem  ao pequeno almoço! Bebem-se! Tenho saudades dessa altura, a casa estava mais vazia e os meus bolsos mais cheios. Mas não havia cerveja, e agora há! E quando no final do dia bebes um copo, a neura passa e sentes-te feliz e realizado.

Mas hoje, sinto saudades de lavar barris de inox... 

Amor com sabor a manga é bem melhor.

Como sabem a maioria dos homens tem uma alergia crónica quando falamos de shopings. O mais engraçado é que quer queiram quer não, de vez em quando lá se tem de comprar alguma coisa para se vestir e calçar. Mas em muito dos casos, são as mulheres que se dão ao trabalho de ir comprar alguma coisa para os seus homens. É um trabalho bem lixado, primeiro temos de imaginar que ele está ali. Os tamanho não são todos iguais, e muitas vezes abrimos a camisa ou a t-shirt e imaginamos como é que lhe irá ficar. Se aperta na barriga, se está largo nos ombros etc.. Sabemos de algumas dicas que vamos apanhando durante os anos. Ele só gosta de calças com botões, nada de fechos! Os boxer são só de algodão e daquele modelo. As camisas só podem ser slim fit, colarinho sem botões e não podem ter bolsos, entre outras características que agora não me lembro!  Mas 100% de certezas, nunca temos! Depois desse trabalho logistico todo, de andar basicamente á caça num centro comercial, quando chegamos a casa temos outro obstáculo. Mostrar o que comprámos! Primeiro olham, depois torcem o nariz, e quando evitam experimentar e dizem " depois já experimento, agora não me apetece!" como quem diz, deixa praí que pode ser que te esqueças. No meu caso acontece algumas vezes. A última novela foi à bem pouco tempo, enquanto trabalhava no Algarve fui comprar uns sapatos para ele. Enchi-me de coragem, e fui. O meu maior obstáculo, pensava eu, era arranjar sapatos de tamanho 45! Acabei por comprar umas sapatilhas da Timberland, que claro, eu gostei bastante. Ainda por cima com 50% de desconto, fiz mega compra. Saí do shoping super orgulhosa de mim própria. No dia seguinte fui aos ctt, bem cedo antes de ir trabalhar. Cheguei ao balcão, e pedi  para enviar a encomenda em correio azul com destino final para a ilha do Pico. Lá consegui enviar o caixote! Demorou alguns dias até chegar. Mas não se perdeu pelo caminho e quando o meu namorado abre a caixa. Guess what? Ele não gostou. Disse que não faz o estilo dele, eram muito coloridas, que tinham o tecido estranho etc etc, e que iria trocar. Fiquei mesmo triste e furiosa, comecei aos berros e super irritada. Primeiro comigo, por ter tido aquele trabalho todo. Depois com ele, por não gostar. Enfim, foi tudo em vão. Os sapatos voltaram novamente a Portugal continental dentro da caixa, para trocar. A minha missão falhou! E prometi nunca mais comprar-lhe nada! (eu sei que não vai ser assim, mas na altura estava convicta disso!) Cheguei ao Pico na Sexta feira. E antes de sair de casa, perto das 4h da manhã, lembrei-me que tinha de levar uma coisa muito importante comigo. Uma MANGA! Não era uma manga qualquer. Era a nossa manga, a primeira a ser colhida na quinta. Finalmente a árvore com 2 anos deu o seu primeiro fruto. Que eu guardei durante uns dias para amadurecer. E por acaso lembrei-me que seria engraçado provarmos os dois juntos. A fruta já estava madura e boa. Portanto meti na mala e segui viagem. Eram só mais 2500km, a manga já tinha vindo do algarve até Abrantes, só faltava atravessar o Atlântico! Quando chego ao pico, depois do jantar mostrei lhe a manga. E ele ficou sem reacção, admirado como é que me tinha lembrado de a trazer comigo. Ficou comovido, e quando a provou os olhos dele brilhavam. Agradeceu-me mil vezes, abraçou-me e beijou-me. Estava radiante. Parecia uma criança a transbordar felicidade! A manga era das melhores que já comi. Mas isso naquele momento não interessava. Ele estava feliz! Com uma coisa tão simples! E passado algum tempo, dei por mim a comparar a surpresa dos sapatos com o que estava a acontecer naquele momento! No final concordo com ele, amor com sabor a manga é bem melhor...

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Ser namorada de um cervejeiro caseiro é ...

 Isto vai ser um desabafo, de alguém que já teve à beira de vários ataques de nervos! Quem diz que é fácil está a mentir! Não é nada fácil, aliás espero ter alguém desse lado que me compreenda.  Começou à três anos atrás, quando me disseram..." vou comprar um kit de cerveja, já não faço isto à muito tempo!" E eu aceitei e até achei piada... ao início, sim ao início, ainda não sabia o que iria sobrar para mim. Quando me explicaram o processo de fazer cerveja de kit concentrado, achei bastante fácil, e alinhei na cena. Naquela altura ainda era numa panela em cima do fogão com os bicos todos ligados! Era um terror! Primeiro que a água fica-se quente... credo! Mas como era a primeira vez, a ansia da expectativa de como seria fez o tempo passar depressa. O cozinhado correu bem, e lá metemos o balde a fermentar no quarto ao lado do nosso. Durante a noite ouvia-se, "glú,glú,glú...", mal eu sabia que este som iria-me trazer tanta felicidade... O meu primeiro drama veio umas semanas depois, LAVAR GARRAFAS!!! ODEIO! ODEIO! ODEIO! Acho que fiquei com trauma desde a primeira vez! QUE SECA! E meter as caricas?! Santa paciência!!! É por isso que hoje em dia, raramente metemos em garrafa. Foi a única coisa que o meu namorado não me conseguiu mesmo obrigar a fazer! Chegamos até a estragar cerveja, porque na altura de a por em garrafa, ninguém queria ter esse trabalho!!

 

 

Bem vindos!

Como este é o meu primeiro post, vou começar por contar um bocadinho da história desta ideia de criar este blog, que acima de tudo é o primeiro blog que faço! Este é um projeto que já venho a pensar nele à muito tempo.

Ora bem, por onde é que hei-de começar...

Acho que desde sempre que me lembro que gosto de cerveja. Que me lembre, a memória mais antiga que tenho desta vida boémia sou eu ainda criança a limpar a espuma toda das cervejas do meu pai na cervejaria Portugália, quando ainda só havia a da Almirante Reis. Eu achava a espuma deliciosa, e era super divertido. Era a cervejaria preferida da família toda, principalmente do meu pai, que o fazia lembrar das belas, longas e tardias noites que lá passou! Então, vai não vai, lá ia a famelga toda para a Portugália jantar ou almoçar, eram sempre refeições muito longas! Porque será? O que vale é que aquele sítio era excelente para levar os míudos, havia sempre muito barulho e muita confusão, portanto nós crianças não chamávamos a atenção nem incomodávamos os outros clientes. Para além do mais os bancos corridos, eram ótimos para dormirmos e deixarmos os adultos em paz.

Depois dessa fase, até ir para a Universidade na Rép.Checa, bebia e conhecia ainda muitas poucas cervejas. Quando mudei para fora, é que aos poucos comecei a tomar um gosto diferente pela cerveja. Haviam tantas, cada uma diferente da outra,  em todas as cidades ou vilas, existem cervejas diferentes. E artesanais nem se fala. Ainda me lembro de ir a caminho da faculdade, por volta das 7 da manhã, e estar um cheiro intenso no ar da brassagem da fábrica da Starobrno. Os meus colegas diziam sempre " lá cheira a néstum outra vez"! Nessa altura, sabia lá eu o que era a brassagem... Era apenas uma apreciadora. E assim foi, este gosto começou a crescer, e neste momento sei que já provei muitas, mas nada se compara ao que existe por esse mundo fora, e aquelas que ainda hei de provar!

Quem diz que mulher não aprecia cerveja não é verdade, todas as minhas colegas adoram, e apreciam. Somos tão boémias como os homens. E se não somos, deviamos ser! Nada melhor do que acabar um dia de aulas, ou de trabalho, e ir para um pub. Com uma caneca na mão, fala-se, ri-se, chora-se,  faz-se novos amigos e criam-se memórias, memórias que vale a pena guardar. Que saudades dos pubs...

Passados uns anos, comecei a fazer cerveja por iniciativa do meu namorado. Ele pegou-me este bichinho cervejeiro! E por isso mesmo tenho de lhe agradecer, por me ter ensinado e envolvido neste mundo. Hoje fico contente por ver o nosso país a crescer nesta área, com mais cervejeiros, e com mais malta a provar e a apreciar.

Foi por isso mesmo que tive esta ideia, de criar este cantinho. Aqui vou partilhar tudo o que já foi e tudo o que é "cerveja" na minha vida e no meu dia a dia...  e muito mais do que isso, porque afinal de contas, isto é um blog feminino! Enjoy it...